População Idosa Cresce e Desafia Modelo de Moradias no Brasil
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O Brasil vive uma transformação demográfica profunda: desde 2023, o país tem mais pessoas com 60 anos ou mais do que jovens. Em apenas duas décadas, a população idosa saltou de 15 milhões para 33 milhões, segundo dados recentes, impulsionada pela queda na taxa de fecundidade e pelo aumento da expectativa de vida.
Esse novo perfil populacional traz desafios urgentes nas áreas de saúde, previdência, mobilidade urbana e, especialmente, moradia. O modelo tradicional de casa sem adaptações acessíveis, longe de serviços essenciais e muitas vezes isolado já não atende às necessidades de uma parcela cada vez maior da sociedade.
Um exemplo de acolhimento em Taguatinga
No Lar São Vicente de Paulo, localizado em Taguatinga (DF), um modelo de cuidado humanizado se destaca. A instituição, com mais de 60 anos de história, abriga atualmente 34 mulheres entre 64 e 98 anos, oferecendo moradia, assistência médica, psicológica e atividades socioeducativas.
Mantido por uma combinação de recursos públicos, doações e parcerias com universidades, o lar é referência no cuidado a idosas em situação de vulnerabilidade. Além do acolhimento, o espaço promove convivência, dignidade e resgate de vínculos sociais.
“Muitas das residentes chegaram aqui após perderem os familiares ou por não terem condições de viver sozinhas. Nosso papel vai além do abrigo: é garantir pertencimento”, explica uma das coordenadoras da instituição.
Realidade e demanda por políticas públicas
Apesar de iniciativas como essa, o número de vagas em casas de longa permanência ainda é pequeno. Segundo o IBGE, em 2022 cerca de 160 mil pessoas viviam em instituições de acolhimento menos de 0,5% da população idosa brasileira. As mulheres são maioria nesses espaços (59,8%), refletindo tanto a maior longevidade feminina quanto a vulnerabilidade social de idosas sem rede de apoio.
A grande maioria dos idosos quase 95% vive em domicílios particulares, muitos sem adaptações adequadas (como barras de apoio, pisos antiderrapantes ou acesso fácil), o que aumenta o risco de quedas e acidentes.
Especialistas defendem novos modelos de moradia
Especialistas em envelhecimento e políticas públicas alertam: é urgente repensar as formas de habitar a cidade na velhice. Entre as propostas estão:
- Habitações intergeracionais, onde jovens e idosos convivem sob o mesmo teto (jovens pagam aluguel simbólico em troca de companhia e auxílio)
- Condomínios adaptados, com infraestrutura acessível, saúde integrada e lazer
- Redes de apoio comunitário, com agentes locais treinados para monitoramento e suporte
- Incentivos fiscais para reformas domiciliares voltadas à acessibilidade
“Precisamos sair da lógica do ‘abrigo’ e avançar para a lógica do ‘envelhecer com autonomia’”, afirma a gerontóloga Dra. Luciana Alves. “O idoso não quer só sobreviver. Ele quer viver bem.”
O futuro está sendo construído agora
Com projeções indicando que, em 2060, um em cada quatro brasileiros terá mais de 65 anos, o tempo para agir é curto. O crescimento da população idosa exige planejamento urbano, investimentos em saúde preventiva e, sobretudo, políticas habitacionais com foco na dignidade.
Cidades como Brasília já começam a sentir esse impacto. Instituições como o Lar São Vicente de Paulo mostram que é possível fazer diferente mas precisam ser parte de uma política ampla, estruturada e sustentável.
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