"Cinco meses de atraso": caminhoneiros cruzam os braços e cobram dívida da Novacap
Uma fila de caminhões desligados e braços cruzados marcou o cenário desta manhã no Distrito Federal. Cerca de 400 caminhoneiros, que prestam serviços essenciais de manutenção urbana para a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), iniciaram uma paralisação por tempo indeterminado. O motivo é o atraso nos pagamentos, que, segundo a categoria, já chega a cinco meses.
O impacto da greve é imediato e afeta diretamente a zeladoria de Brasília e de regiões administrativas importantes, como Taguatinga, Ceilândia e Samambaia. Estes profissionais são responsáveis pelo transporte de massa asfáltica para operações tapa-buracos, recolhimento de entulhos, galhos de árvores podadas e transporte de materiais de construção para obras públicas em andamento.
A realidade atrás do volante
Para os trabalhadores, a situação ultrapassou o limite da sustentabilidade financeira. A maioria dos paralisados atua como autônomo ou terceirizado, o que significa que os custos de operação do veículo saem do próprio bolso. Sem o repasse da verba há quase meio ano, a manutenção dos caminhões, o abastecimento de diesel e o sustento das famílias tornaram-se inviáveis.
Relatos colhidos no local da concentração apontam que muitos motoristas estão endividados, recorrendo a empréstimos para manter os veículos rodando na esperança de que o pagamento fosse regularizado. Com o acúmulo da dívida por parte da estatal, a categoria decidiu que nenhum caminhão sairá do pátio até que haja uma previsão concreta ou o depósito dos valores em atraso.
Reflexos nas Cidades Satélites
Em Taguatinga, onde a demanda por manutenção viária é alta devido ao fluxo intenso de veículos, a ausência desses caminhões deve ser sentida rapidamente. Serviços de limpeza urbana que dependem do transporte de resíduos pesados e as obras de reparo no asfalto nas avenidas principais da cidade estão, neste momento, suspensos.
A categoria afirma que tentou diálogo com a diretoria da Novacap nas últimas semanas, mas sem sucesso na resolução do cronograma de pagamentos. O grupo permanece mobilizado e aguarda um posicionamento oficial do Governo do Distrito Federal (GDF) para definir os rumos do movimento. Enquanto o impasse não se resolve, as obras e a limpeza da capital e arredores permanecem em ritmo lento ou totalmente paradas.



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